Há poemas que se escrevem. Outros, que se escavam.
Este começou como um grito e terminou como uma fenda. No meio, perdeu o êxtase, ganhou aspereza, aprendeu a caber nos silêncios tipográficos. A “alma” deixou de ser conceito para virar insistência.
Não sei se é um bom poema.
Sei que é verdadeiro:
falha,
hesita,
quebra,
e ainda assim
persiste.
Leia em voz baixa.
Pare no meio, talvez.
Deixe ficar.
Talvez reste só isso:
o gosto de rua — asfalto seco.
Se quiser atravessar esse percurso até o fim:
👉 Ler: PRIMEVO
Há dias em que o vento não é apenas vento.
É estranho escrever sobre Jó quando a vida imita Jó. Talvez por isso esta canção, tenha vindo com tanta urgência.
Não era para ser bonita.
Era para ser verdadeira.
A forma original chegou primeiro como poema, mas não me bastou.
Eu queria ouvir o trigo sendo arrancado.
Queria sentir o silêncio do Céu como um peso no peito.
Queria ver a letra ganhar vento,
e o vento ganhar violão e brasilidade.
A Luz sustenta — mesmo sem falar.
Foi isso que tentei registrar.
Se quiser ouvir e sentir, é só tocar.
🎧 — QUESTIONÁRIO ETERNO — Áudio e letra
🔗 — QUESTIONÁRIO ETERNO — Letra
Muitas vezes, a poesia é vista apenas como um jorro de emoção. Mas, para mim, o poema é como uma escultura: o sentimento é a pedra bruta, a técnica é o cinzel.
Escrever este soneto foi um exercício de paciência e métrica. O decassílabo é um desafio de arquitetura; é preciso erguer paredes sólidas para que a emoção não desmorone.
Convido você a sentir a cadência desses versos, onde cada pausa foi planejada para ser um respiro de esperança.
Hoje acordei com a imagem de uma barba que nunca existiu.
Fui procurar Joaquim José — o homem de carne, osso e silêncio — e encontrei um Cristo de gravura, barbudo e absolvido, pendurado nas paredes da República. Acontece que herói se faz com o que restou depois da degola: não sobra carne, sobra fome de símbolo.
Escrevi "Barba Póstuma" para entender onde termina o pisoteado e começa o florido.
Abaixo, o texto. Se tiver coragem de olhar para a corda estalada, clique.
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Há manhãs que não chegam de uma vez.
Elas encostam. Testam o chão. Recuam sem alarde.
O campo sabe disso. Antes da luz, há um tempo em suspenso — onde tudo ainda decide se continua. A terra respira, mas não no mesmo compasso. Há marcas que ficam antes mesmo de alguém ser visto.
Talvez seja isso que mais me interessa: o instante em que o mundo quase se organiza, e não.
Escrevi este poema tentando ouvir esse descompasso mínimo.
Leia o poema completo:
🌿"RESPIRAÇÃO DA TERRA"