Alves Batista
— "Escrevo para entender — para entender, escrevo." (Alves Batista)
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Textos

RESPIRAÇÃO DA TERRA

Dísticos por Alves Batista


 

O orvalho escorre morno da noite,

e o campo hesita em ser dia.

 

O rio se dobra, falha no que reflete,

e o vento ata, desata o que não diz.

 

A lua baixa, baça, sobre a serra,

e o galo fere o escuro — não abre.

 

O pasto inclina e não cede inteiro,

um ponto falha à passagem do ar.

 

Entre folhas, algo ficou fora do lugar,

a manhã ali, presa.

 

Um passo ficou, marca no barro,

meia lua funda onde alguém esteve.

 

Entre raízes, o tempo emperra, aperta,

e a terra sobe e desce fora do ritmo.

 

A luz ensaia, falha, não aquece,

fica na pele, sem passar.

 

Na vidraça, a água insiste, risca, repisa,

e o cheiro da terra vem quase gasto.

 

O dia tenta, demora, não firma,

e para na borda do campo.

 

 

 


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Alves Batista
Enviado por Alves Batista em 09/04/2026
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