Dísticos por Alves Batista
O orvalho escorre morno da noite,
e o campo hesita em ser dia.
O rio se dobra, falha no que reflete,
e o vento ata, desata o que não diz.
A lua baixa, baça, sobre a serra,
e o galo fere o escuro — não abre.
O pasto inclina e não cede inteiro,
um ponto falha à passagem do ar.
Entre folhas, algo ficou fora do lugar,
a manhã ali, presa.
Um passo ficou, marca no barro,
meia lua funda onde alguém esteve.
Entre raízes, o tempo emperra, aperta,
e a terra sobe e desce fora do ritmo.
A luz ensaia, falha, não aquece,
fica na pele, sem passar.
Na vidraça, a água insiste, risca, repisa,
e o cheiro da terra vem quase gasto.
O dia tenta, demora, não firma,
e para na borda do campo.

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