Alguns lugares não pedem contemplação, pedem passagem.
O Viaduto do Chá é um deles. Nunca consegui observá-lo sem a sensação de que tudo ali acontece em trânsito: pessoas, ruídos, pensamentos.
Este poema nasceu dessa experiência. Não como quem descreve a cidade, mas como quem é atravessado por ela. Há um cansaço que não é físico, um silêncio que não é ausência de som, um aprendizado lento de que certos vazios não devolvem nada.
O texto não quer explicar São Paulo. Quer apenas existir nela por alguns instantes.
Leia o poema completo:
👉 VIADUTO DO CHÁ
Hoje reli um poema antigo que escrevi em uma fase de inquietação silenciosa. Naquela época, a expressão “carpe diem” me soava como ordem apressada, quase uma exigência de felicidade imediata. Mas nunca vi o dia como fruto pendendo dócil de um galho. Sempre me pareceu mais próximo de um animal indomável, desses que não se deixam capturar por palavras bonitas.
Viver não é apenas colher; é também aceitar o risco da colheita. Há algo de vertiginoso no instante. Ele não se oferece — ele irrompe. Às vezes aquece, às vezes queima.
Percebi, enquanto escrevia, que não somos apenas sujeitos do tempo, somos também atravessados por ele. Talvez o dia nos colha antes que consigamos tocá-lo. Talvez viver seja menos sobre controlar o agora e mais sobre suportar sua intensidade.
Se quiser caminhar comigo por essa reflexão em versos, convido você a ler o poema completo.
Leia o texto na íntegra:
🔗 CARPE DIEM
Nos vemos no fogo das próximas palavras.
Algumas presenças desaparecem sem aviso. Outras permanecem como espaços vazios que você atravessa todos os dias.
Escrevi este texto para tentar ouvir o que sobra quando tudo se fecha: o som do quarto, a luz que ninguém acende, a última sílaba de um nome que já não se pronuncia.
Às vezes, a escrita é apenas um modo de mapear a ausência. Este é um desses mapas — seco, direto, sem ornamentos, porque nada mais resta senão a constatação do silêncio.
Se você quiser sentir esse vazio comigo,
pode ler o texto completo aqui:
👉 “MANUAL DE QUARTO FECHADO”
A família moderna é feita de telas que aproximam, notificações que atravessam o dia, abraços que resistem à distância.
Entre a rotina digital e os afetos que insistem em florescer, encontrei a poesia que habita esses instantes.
Escrevi “ENTRE NOTIFICAÇÕES E ABRAÇOS” para capturar essa realidade viva, plural e mutável. É uma tentativa de dizer que, mesmo na fissura do concreto, a vida familiar floresce.
Leio o poema completo:
👉 “ENTRE NOTIFICAÇÕES E ABRAÇOS”
Hoje me peguei pensando no que perdura no tempo.
No beijo, no olhar, no calor de um momento, o amor se insinua como chama que não se apaga, como promessa silenciosa que acompanha a memória.
Escrevi uma pequena quadra para guardar essa sensação, um reflexo do que arde e persiste, mesmo quando tudo parece efêmero.
Leia a quadra completa: