Alves Batista
— "Escrevo para entender — para entender, escrevo." (Alves Batista)
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Textos

MANUAL DE QUARTO FECHADO

Poesia/Desilusão por Alves Batista


 

Hoje o amor não veio,

não deixou bilhete,

não tocou a maçaneta,

não parou na porta...

 

o corredor ficou inteiro.

 

A xícara está cheia —

o café, frio —

e ainda assim

mastigo o seu

papel molhado.

 

O relógio na parede

range,

cada minuto rói

meu nome

até ficar ilegível.

 

As palavras,

que sabiam o caminho,

batem nos dentes,

caem da língua

no chão.

 

O espelho embaça.

A porta não bate.

A casa inteira

permanece.

Nada responde.

 

E eu,

 

o som

de um quarto fechado.

 

A sobra.

 

A luz apagada

sem interruptor.

 

A última sílaba

de um nome.

 


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Alves Batista
Enviado por Alves Batista em 20/02/2026
Alterado em 26/02/2026
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