Poesia/Desilusão por Alves Batista
Hoje o amor não veio,
não deixou bilhete,
não tocou a maçaneta,
não parou na porta...
o corredor ficou inteiro.
A xícara está cheia —
o café, frio —
e ainda assim
mastigo o seu
papel molhado.
O relógio na parede
range,
cada minuto rói
meu nome
até ficar ilegível.
As palavras,
que sabiam o caminho,
batem nos dentes,
caem da língua
no chão.
O espelho embaça.
A porta não bate.
A casa inteira
permanece.
Nada responde.
E eu,
o som
de um quarto fechado.
A sobra.
A luz apagada
sem interruptor.
A última sílaba
de um nome.
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