Alves Batista
— "Escrevo para entender — para entender, escrevo." (Alves Batista)
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Textos

CARPE DIEM

Por Alves Batista

 

Colhe o dia — disseram.

 

Mas o dia

não é pomar.

 

É um animal inquieto

que não aceita rédea.

 

Tentaste segurá-lo pelo nome.

Chamaste: agora.

Ele mordeu.

 

Há manhãs que parecem promessas,

mas são claridades provisórias.

O sol não é cúmplice —

é presença.

 

Colher exige risco.

E nada aqui é teu.

Nem o pulso,

que bate sem pedir licença.

 

Rasgar o cálculo?

Ele te segurava à beira do excesso.

A memória não é cárcere:

é cicatriz — e também mapa.

 

Dizem: vive antes que acabe.

E viver, sim, também gasta.

Cada gesto perde algo —

mas acende outro tanto.

 

O instante não floresce —

irrompe.

E muitas vezes

arde.

 

Colher o dia…

 

Talvez o dia nos colha.

Um a um.

Sem pressa.

 

Mas enquanto respira,

há fogo.

 

E o que chamamos chama

não é só combustão —

é sinal

de que estamos vivos.

 

 

 


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Interações

 

UM DIA APÓS OUTRO

(Jacó Filho)

 

Vivo um dia após outro,
Como quem tem consciência
Que todo tempo é pouco
Pra chegar a transcendência...
Cada vez que o Sol vem
Torso para ver além
Desse plano de sufoco...
Exercitando paciência,
Vivo um dia após outro,
Como quem tem consciência...

 

Alves Batista
Enviado por Alves Batista em 20/02/2026
Alterado em 22/02/2026
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