Há textos que não nascem para explicar —
nascem para atravessar.
Este surgiu assim.
Não como resposta, mas como fissura.
Um ponto onde a linguagem cede um pouco…
e algo mais começa a vazar.
Escrevi pensando no corpo —
no corpo que carrega peso, sede, silêncio.
No corpo que racha antes de entender.
Talvez toda travessia comece assim:
não com luz,
mas com uma fenda.
E é por ela que algo passa.
Se quiser caminhar por esse intervalo,
o poetrix está aqui:
🔗 A FENDA

Há histórias que não pedem explicação — pedem travessia.
Durante muito tempo, eu pensei na Páscoa como um ponto: um dia, um evento, uma memória. Mas, com o tempo, comecei a perceber que ela é caminho.
Um caminho que começa antes de nós,
nos atravessa,
e segue além.
Não é apenas sobre dor, nem apenas sobre vitória.
É sobre um amor que decidiu não recuar — mesmo sabendo o custo.
Um amor que não ficou na ideia, não ficou na promessa, não ficou na intenção.
Veio.
Habitou.
Sofreu.
Venceu.
E ainda chama.
Hoje, tentei tocar esse caminho de duas formas:
Uma mensagem.
Um acróstico.
Mas ambos apontam para o mesmo lugar:
um amor que não ficou no tempo —
ele o atravessou.
Se fizer sentido para você, te convido a atravessar comigo:
🔗 Mensagem: "O AMOR EM CINCO CENAS"
🔗 Acróstico: "P Á S C O A"
Todo conto tem uma origem secreta. Às vezes, uma imagem. Às vezes, uma frase que não sai da cabeça. Com A ESTRELA, O FEITIÇO E O SANGUE, foi uma pergunta: O que acontece quando a gente para de lutar contra o que não vai embora?
Não se trata de superar. A palavra já me parecia mentirosa quando comecei. Trata-se de reconhecer. De parar de chamar de fraqueza o que talvez seja apenas uma geografia interna — um lugar que não escolhemos, mas que, depois de certo ponto, também não podemos negar.
Escrevi o conto pensando na fronteira tênue entre servidão e pertencimento. Entre estar preso e, simplesmente, estar.
A fantasia veio como língua natural para falar do que a crônica do cotidiano às vezes embaça: há amores que funcionam como cidades sem mapa. Há marcas que não cicatrizam porque não são feridas — são assinatura.
Não há herói.
Não há vilã.
Há apenas um homem, uma estrela, e uma linha de sangue que atravessa a palma da mão. O resto é silêncio. E, nele, talvez um espelho, talvez um país que reconhece sem nunca ter visitado.
Boa leitura!
👉 A ESTRELA, O FEITIÇO E O SANGUE
Escrevi este poema para testar os limites do próprio desgaste. Não há iluminação aqui — há atrito.
Certas imagens só revelam algo quando são atravessadas mais de uma vez. O rondel me interessou justamente por isso — pela repetição que não consola, apenas retorna.
Talvez escrever seja isso: medir o que sobra depois que o dia passa por dentro da gente.
Se quiser ler o poema completo:
👉 Ler “O DENTE DO DIA”