Rondel por Alves Batista
Na via onde a sombra dança,
mastigo o resto do dia.
O sol — lâmina — não alcança
o osso frio da poesia.
Minha alma já não confia:
espera, sem esperança.
Na via onde a sombra dança,
mastigo o resto do dia.
O vento cobra fiança
no tempo que me esvazia.
Cada palmo é balança,
promessa em anestesia.
Na via onde a sombra dança.

Todo o conteúdo deste texto é protegido pela Lei nº 9.610/98. Sua reprodução, adaptação ou uso sem a devida atribuição ao autor é proibida e pode resultar em ações legais. Para uso autorizado, entre em contato com o autor.