Alves Batista
— "Escrevo para entender — para entender, escrevo." (Alves Batista)
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Meu Diário
02/03/2026 14h35
Achados no Cotidiano

Há dias em que a poesia não chega como um raio — ela simplesmente está.
Foi assim com este tanka. Um copo de suco de abacaxi, recém preparado, a espuma ainda separando-se do líquido. A mão em torno do vidro frio. E ali perto, a salada na tigela, silenciosa, incorporando aos poucos o perfume da fruta.
Percebi então: o poema não estava no suco, nem na salada. Estava no entre — no ar que os unia, na troca silenciosa que acontece quando a gente não está olhando.


Leia o poema completo:
👉 TANKA AB

Publicado por Alves Batista
em 02/03/2026 às 14h35
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26/02/2026 19h01
Onde deixamos o nosso tempo?

Às vezes, me pego olhando para o relógio e percebo que as horas passaram, mas eu não estava lá para vê-las. É uma sensação estranha.

Escrevi sobre isso hoje porque sinto que estamos todos sofrendo de uma mesma miopia: enxergamos o horizonte com uma clareza absurda, mas tropeçamos no que está bem debaixo dos nossos pés.

No texto que publiquei hoje, mergulhei nessa urgência de habitar o presente, sem filtros e sem ensaios.

Se você também sente que a vida está acontecendo em algum lugar onde você não está, talvez essas palavras sirvam de bússola.

 

Leia o discurso completo:
👉 O PESO DO AGORA

Publicado por Alves Batista
em 26/02/2026 às 19h01
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25/02/2026 07h50
Diário de Processo #47 — Anatomia do Concreto

Há algum tempo venho tentando escutar a cidade não como paisagem, mas como organismo. Não me interessa descrevê-la; quero sentir sua pressão, sua articulação, o modo como ela nos encaixa entre dentes invisíveis.

Em MANDÍBULA URBANA, experimento tratar viadutos, ônibus e semáforos como partes de uma arcada em movimento. A cidade deixa de ser cenário e assume função muscular: mastiga nomes, cospe números, range concreto contra concreto. Há fricção, há ruído, há esse gesto constante de fechar e guardar o dia entre os dentes.

Escrevi o poema buscando tensão curta, imagens que se encaixam como maxilares, sem excesso de explicação, apenas impacto.

 

Convido você a atravessar essa arcada comigo e ler o poema completo:
👉
MANDÍBULA URBANA

Publicado por Alves Batista
em 25/02/2026 às 07h50
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24/02/2026 04h52
O Despertar da Geometria Interna

Muitas vezes, a poesia não nasce do que vemos, mas do que deixamos de ver. Durante muito tempo, senti que as palavras rastejavam por um corredor estreito, cercadas por uma névoa que eu chamava de rotina, mas que a alma reconhecia como exílio.
 

Este novo soneto foi um exercício de exorcismo e arquitetura. Eu queria capturar aquele exato décimo de segundo em que a inércia é golpeada por um raio de consciência.
 

No fim, a revelação não é sobre encontrar um mundo novo, mas sobre aprender a tocar a "viva intensidade" do mundo que sempre esteve diante de nós, aguardando o nosso olhar.

 

Te convido a atravessar esse labirinto comigo.

 

Leia o soneto completo: DO EXÍLIO AO AMOR

 

Publicado por Alves Batista
em 24/02/2026 às 04h52
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23/02/2026 12h00
Jardim de Porcelana no Décimo Quarto Andar

Escrevi “HERANÇA INSTALADA” como quem abre uma porta que range não pelo tempo, mas pelo que insiste em permanecer atrás dela.

A ideia nasceu de um apartamento na Consolação, em São Paulo — desses suspensos sobre o ruído contínuo da cidade, onde o silêncio não é ausência de som, mas uma compressão dele. Sempre me intrigou a sensação de que certos espaços não são habitados apenas por pessoas, mas por intenções acumuladas.

Judite surgiu antes mesmo das bonecas. Veio com a herança e com a delicadeza inquieta de quem percebe demais. Depois vieram as sete figuras na estante — não como objetos de terror explícito, mas como recipientes.

Este conto fala menos sobre assombração e mais sobre contenção. Sobre o que fazemos com os excessos que a cidade produz: raivas pequenas, desejos inconfessáveis, invejas quase domésticas. E sobre a tentação de organizá-los, alinhá-los, dar-lhes forma — mesmo que em porcelana.

A tia de Judite não colecionava. Ela cultivava.

Talvez todos nós cultivemos algo, ainda que em silêncio.

Se você gosta de histórias em que o horror é lento, atmosférico e íntimo — em que o medo nasce da percepção de que as fronteiras são mais porosas do que parecem — deixo o convite:

 

Leia conto completo:
👉 “HERANÇA INSTALADA”

Publicado por Alves Batista
em 23/02/2026 às 12h00
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