Alves Batista
— "Escrevo para entender — para entender, escrevo." (Alves Batista)
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MANDÍBULA URBANA

Poesia Cubista por Alves Batista


 

manhã encaixa:

dente a dente

viadutos cerram

a arcada trânsito

ônibus rangem

molares de asfalto gasto

 

prédio cubo

na mordida do vidro

semáforos salivam:

       VERDE

          AMARELO

             VERMELHO

calçadas trituram o passo

farelo de sola

pó de gente

 

vendedor

       fatia

            o ângulo da praça

diagonais de pássaro:

drones vibram

a cartilagem do azul

    clic...

      clac...

        catraca:

 

cidade em cifra

concreto sobre concreto

nervo de fio exposto

entre a sirene (agudo)

e o freio (grave)

A MANDÍBULA FECHA

guarda o dia

entre os dentes.

 


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Alves Batista
Enviado por Alves Batista em 25/02/2026
Alterado em 25/02/2026
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