Poesia Cubista por Alves Batista
manhã encaixa:
dente a dente
viadutos cerram
a arcada trânsito
ônibus rangem
molares de asfalto gasto
prédio cubo
na mordida do vidro
semáforos salivam:
VERDE
AMARELO
VERMELHO
calçadas trituram o passo
farelo de sola
pó de gente
vendedor
fatia
o ângulo da praça
diagonais de pássaro:
drones vibram
a cartilagem do azul
clic...
clac...
catraca:
cidade em cifra
concreto sobre concreto
nervo de fio exposto
entre a sirene (agudo)
e o freio (grave)
A MANDÍBULA FECHA
guarda o dia
entre os dentes.
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