Soneto por Alves Batista
Viver era ausência de claridade,
O tempo rastejava em longo frio;
No peito um pulso seco e doentio,
E a alma aceitava a sua exiguidade.
O passo errava em névoa e ansiedade,
Perdido em labirinto tão sombrio;
Do mundo eu via apenas o vazio,
Sem lhe tocar a chama da verdade.
Mas um fulgor rompeu minha visão,
Trouxe à penumbra a luz e a beleza,
Fez vivo o sonho, deu voz à razão.
O antigo exílio abriu-se em clareza;
Num só relâmpago a luz se fez chão,
Deu alma à forma em amor e nobreza.

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