Letra: Alves Batista
Voz: Toto Paulito
No alvoroço do trigo... sob o vento...
O justo vê seu gado e o seu lar sumirem...
Os amigos da estrada mudaram o tom
Abraço vazio, conselho sem chão
“Cê mereceu” — dizem sem me olhar
Enquanto o mundo aprende a desabar
Perdi o campo, o sal e o suor
Perdi o rumo do rio e da dor
A saúde escorre pela fresta da mão
E a noite acende dentro do pulmão
Minha alma chama... mas não vem som
Só poeira, lua... e contramão
Se Ele fala... eu não ouço
Se Ele vê... eu não sei
Mas o vento que leva tudo
Ainda passa por mim outra vez...
No silêncio da noite — eu gritei!
No céu fechado — eu chamei!
E o eco voltou pra dizer:
A Luz sustenta — mesmo sem falar
A Luz sustenta — mesmo sem explicar
Se o barro quebra... quem vai julgar?
A mão que molda não vai se explicar
A Luz sustenta — mesmo sem falar...
O vento rodopia, arranca a telha
A razão costura, mas sempre falha
Não é voz de homem que encosta em mim
É o mesmo sopro que fez o jardim
O mesmo fôlego que abriu o mar
O mesmo toque que me fez respirar
No meio do caos, sem lei, sem chão
Algo me chama sem explicação
E quanto mais eu tento entender...
Mais sinto que devo ceder...
Se Ele cala... há motivo
Se Ele pesa... eu não sei
Mas o que tira tudo de mim
É o que ainda me mantém de pé...
No silêncio da noite — eu gritei!
No céu fechado — eu chamei!
E o eco voltou pra dizer:
A Luz sustenta — mesmo sem falar
A Luz sustenta — mesmo sem explicar
Se o barro treme... quem vai julgar?
A mão que molda não vai se explicar
A Luz sustenta — mesmo sem falar...
Eu quis resposta...
Eu quis motivo...
Eu quis justiça na medida da dor...
Mas quem mede o vento?
Quem segura o mar?
Quem sustenta... quando tudo quer cair?
Eu gritei até perder a voz
Até sobrar só o pó de nós
E no fundo do que restou...
…era Ele.
No silêncio da noite — eu calei
E no vazio — eu encontrei
Que:
A Luz sustenta — antes de existir
A Luz sustenta — mesmo ao destruir
Se o barro vive... é por respirar
O sopro antigo que insiste em ficar
A Luz sustenta — é o próprio chão
A Luz sustenta — é o Fundamento!
No alvoroço do trigo... sob o vento...
O justo já não pergunta ao sofrimento...
Só permanece.
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