
"Há versos que não se alongam,
não se vestem de ornamentos,
não se escondem em labirintos.
São palavras mínimas,
mas carregam o peso de um mundo."
A Aldravia é esse sopro breve que bate à porta, chamando o leitor.
No Tautograma, cada palavra é centelha que ilumina o instante. O “q” seco, cortante, abre caminho para o desejo e para a queda.
Assim nasce a ALDRAVIA TAUTOGRAMÁTICA: síntese ardente, convite à reflexão.
👉 Leia: ALDRAVIA TAUTOGRAMÁTICA
Escrevi este poema como quem observa algo leve, belo, mas atravessado por forças que não pedem licença.
BORBOLETAS BRANCAS surgiu como um modo de pensar a brevidade, a troca silenciosa da vida com o mundo, o que há de bênção e de embate em simplesmente existir.
A escolha do tautograma não foi jogo, mas disciplina: cada B funciona como um pequeno limite imposto ao dizer.
O resultado é um poema que não afirma nem nega — apenas paira, por um momento, antes de seguir adiante.
Leia o poema completo:
👉 BORBOLETAS BRANCAS
A língua não nasceu para o silêncio.
Ela se agita como pássaro em gaiola, buscando sempre a fresta por onde escapar.
E quando encontra o ar, não fala do essencial.
A fofoca.
Este é o seu ofício secreto, um trabalho invisível que move multidões
e constrói castelos de areia na memória coletiva.
No fundo, talvez seja nisso que reside sua força: não na verdade, mas na vertigem do que se diz.
Leia o Aforismo e reflita.
👉 A LINGUA.
Confesso que, ao escrever este dueto, senti como se estivesse abrindo uma janela dentro de mim.
Ao compor “VOZES DA MEMÓRIA”, percebi que dialogava diretamente com “Faces da História”, do poeta Jacó Filho. Ele trouxe a força da narrativa histórica, o peso entre derrotados e vencedores, e eu me vi respondendo com a lembrança que insiste em não se apagar.
Nesse caminho, não posso deixar de reconhecer Eligio Moura, criador do estilo Reprise, que nos oferece essa cadência única, quase como um refrão que retorna para nos lembrar que nada se perde quando a palavra insiste em voltar.
Continue a leitura do dueto completo.
👉 FACES DA HISTÓRIA · VOZES DA MEMÓRIA
A aldravia, criada em 2002 pelos poetas de Mariana (MG) — J. B. Donadon-Leal, Andréia Donadon Leal e Gabriel Bicalho — é considerada o poema mais breve da língua portuguesa, marcada por versos curtos e incisivos.
O redonde, por sua vez, é um estilo poético minimalista criado pelo poeta Francisco de Assis de Góis em 2020. Estrutura-se como uma décima em redondilha maior (10 versos, com repetição dos dois primeiros no final), valorizando musicalidade e circularidade.
Ao unir essas duas formas, nasceu o poema híbrido ALDRAVIA REDONDE, que condensa palavras isoladas em uma estrutura tradicional, criando impacto visual e simbólico. É uma fusão que mostra como a poesia pode dialogar com tradição e inovação ao mesmo tempo.
👉 Leia: ALDRAVIA REDONDE