Alves Batista
— "Escrevo para entender — para entender, escrevo." (Alves Batista)
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A LUZ E O ESPELHO

Teu cheiro...

Nas vielas do tempo...

Onde a luz dançou...

 

A flor viajou,

Por ruas de vento,

Onde foste só claridade

E girassol aberto.

Mas, nos ecos alheios,

Perdeu o seu jeito,

Virou sombra de um rosto

Que nunca foi teu...

 

Chamaram de pedra

Quem era abrigo

De tempestade,

Quem era porto,

Quem disse “não”,

Quando o sim doía...

 

Ah, mas não contaram

As madrugadas

Que, em teus braços,

Acharam abrigo;

As flores murchas

Que regaste em segredo...

A cura veio,

Como orvalho manso,

Quando entendeste

Que não és espelho

Dos olhos alheios...

 

O espelho da alma

É lagoa quieta,

Que não reflete

Nas águas turvas

Dos outros olhares.

É flor que desabrocha

Sem testemunhas...

 

Ah, mas não contaram

As madrugadas

Que, em teus braços,

Acharam abrigo;

As flores murchas

Que regaste em segredo...

A cura veio,

Como orvalho manso,

Quando entendeste

Que não és espelho

Dos olhos alheios...

 

Tu sabes...

Na quietude da alma...

Que és...

E ser... basta...

 

O espelho da alma...

É lagoa quieta...

Onde a luz...

Morava em teu peito...

 

Ouça a música:

https://www.recantodasletras.com.br/audios/cancoes/123440

 

Alves Batista
Enviado por Alves Batista em 24/10/2025
Alterado em 27/12/2025
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