Teu cheiro...
Nas vielas do tempo...
Onde a luz dançou...
A flor viajou,
Por ruas de vento,
Onde foste só claridade
E girassol aberto.
Mas, nos ecos alheios,
Perdeu o seu jeito,
Virou sombra de um rosto
Que nunca foi teu...
Chamaram de pedra
Quem era abrigo
De tempestade,
Quem era porto,
Quem disse “não”,
Quando o sim doía...
Ah, mas não contaram
As madrugadas
Que, em teus braços,
Acharam abrigo;
As flores murchas
Que regaste em segredo...
A cura veio,
Como orvalho manso,
Quando entendeste
Que não és espelho
Dos olhos alheios...
O espelho da alma
É lagoa quieta,
Que não reflete
Nas águas turvas
Dos outros olhares.
É flor que desabrocha
Sem testemunhas...
Ah, mas não contaram
As madrugadas
Que, em teus braços,
Acharam abrigo;
As flores murchas
Que regaste em segredo...
A cura veio,
Como orvalho manso,
Quando entendeste
Que não és espelho
Dos olhos alheios...
Tu sabes...
Na quietude da alma...
Que és...
E ser... basta...
O espelho da alma...
É lagoa quieta...
Onde a luz...
Morava em teu peito...
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