Passei os últimos dias pensando numa coisa curiosa: a língua mais viva raramente nasce dos lugares que tentam conservá-la.
Nasce do improviso.
Do erro repetido.
Da piada interna.
Do apelido sem origem.
Da palavra torta que alguém inventa sem querer —
e, de repente,
já virou patrimônio afetivo de um grupo inteiro.
Talvez toda gíria seja uma pequena gambiarra contra o excesso de formalidade.
Talvez falar seja, no fundo, adaptar o idioma à temperatura da vida real.
Escrevi um texto sobre isso.
Sobre as palavras que escapam da norma e acabam dizendo mais do que muito discurso.