Há poemas que se escrevem. Outros, que se escavam.
Este começou como um grito e terminou como uma fenda. No meio, perdeu o êxtase, ganhou aspereza, aprendeu a caber nos silêncios tipográficos. A “alma” deixou de ser conceito para virar insistência.
Não sei se é um bom poema.
Sei que é verdadeiro:
falha,
hesita,
quebra,
e ainda assim
persiste.
Leia em voz baixa.
Pare no meio, talvez.
Deixe ficar.
Talvez reste só isso:
o gosto de rua — asfalto seco.
Se quiser atravessar esse percurso até o fim:
👉 Ler: PRIMEVO