Todo conto tem uma origem secreta. Às vezes, uma imagem. Às vezes, uma frase que não sai da cabeça. Com A ESTRELA, O FEITIÇO E O SANGUE, foi uma pergunta: O que acontece quando a gente para de lutar contra o que não vai embora?
Não se trata de superar. A palavra já me parecia mentirosa quando comecei. Trata-se de reconhecer. De parar de chamar de fraqueza o que talvez seja apenas uma geografia interna — um lugar que não escolhemos, mas que, depois de certo ponto, também não podemos negar.
Escrevi o conto pensando na fronteira tênue entre servidão e pertencimento. Entre estar preso e, simplesmente, estar.
A fantasia veio como língua natural para falar do que a crônica do cotidiano às vezes embaça: há amores que funcionam como cidades sem mapa. Há marcas que não cicatrizam porque não são feridas — são assinatura.
Não há herói.
Não há vilã.
Há apenas um homem, uma estrela, e uma linha de sangue que atravessa a palma da mão. O resto é silêncio. E, nele, talvez um espelho, talvez um país que reconhece sem nunca ter visitado.
Boa leitura!
👉 A ESTRELA, O FEITIÇO E O SANGUE