Alves Batista
— "Escrevo para entender — para entender, escrevo." (Alves Batista)
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Meu Diário
23/02/2026 12h00
Jardim de Porcelana no Décimo Quarto Andar

Escrevi “HERANÇA INSTALADA” como quem abre uma porta que range não pelo tempo, mas pelo que insiste em permanecer atrás dela.

A ideia nasceu de um apartamento na Consolação, em São Paulo — desses suspensos sobre o ruído contínuo da cidade, onde o silêncio não é ausência de som, mas uma compressão dele. Sempre me intrigou a sensação de que certos espaços não são habitados apenas por pessoas, mas por intenções acumuladas.

Judite surgiu antes mesmo das bonecas. Veio com a herança e com a delicadeza inquieta de quem percebe demais. Depois vieram as sete figuras na estante — não como objetos de terror explícito, mas como recipientes.

Este conto fala menos sobre assombração e mais sobre contenção. Sobre o que fazemos com os excessos que a cidade produz: raivas pequenas, desejos inconfessáveis, invejas quase domésticas. E sobre a tentação de organizá-los, alinhá-los, dar-lhes forma — mesmo que em porcelana.

A tia de Judite não colecionava. Ela cultivava.

Talvez todos nós cultivemos algo, ainda que em silêncio.

Se você gosta de histórias em que o horror é lento, atmosférico e íntimo — em que o medo nasce da percepção de que as fronteiras são mais porosas do que parecem — deixo o convite:

 

Leia conto completo:
👉 “HERANÇA INSTALADA”

Publicado por Alves Batista
em 23/02/2026 às 12h00
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