Escrevi “HERANÇA INSTALADA” como quem abre uma porta que range não pelo tempo, mas pelo que insiste em permanecer atrás dela.
A ideia nasceu de um apartamento na Consolação, em São Paulo — desses suspensos sobre o ruído contínuo da cidade, onde o silêncio não é ausência de som, mas uma compressão dele. Sempre me intrigou a sensação de que certos espaços não são habitados apenas por pessoas, mas por intenções acumuladas.
Judite surgiu antes mesmo das bonecas. Veio com a herança e com a delicadeza inquieta de quem percebe demais. Depois vieram as sete figuras na estante — não como objetos de terror explícito, mas como recipientes.
Este conto fala menos sobre assombração e mais sobre contenção. Sobre o que fazemos com os excessos que a cidade produz: raivas pequenas, desejos inconfessáveis, invejas quase domésticas. E sobre a tentação de organizá-los, alinhá-los, dar-lhes forma — mesmo que em porcelana.
A tia de Judite não colecionava. Ela cultivava.
Talvez todos nós cultivemos algo, ainda que em silêncio.
Se você gosta de histórias em que o horror é lento, atmosférico e íntimo — em que o medo nasce da percepção de que as fronteiras são mais porosas do que parecem — deixo o convite:
Leia conto completo:
👉 “HERANÇA INSTALADA”