Há buscas que não nascem da esperança, mas de um luxuoso desespero. Ao revisitar a mítica figura que sobe a escadaria rumo ao eterno, percebi que ela não é uma viajante, mas uma prisioneira de sua própria heresia.
Nesta reinterpretação, despi a personagem de suas vestes folclóricas para vesti-la com o veludo pesado da tradição gótica.
"HERESIA DA ASCENSÃO" é um exercício sobre o vazio. No decassílabo, encontrei a marcha fúnebre necessária para descrever essa mulher. Ela não sobe para encontrar a luz; ela sobe para se tornar o próprio abismo, coroada em um trono de espelhos onde Deus é apenas uma ausência que brilha.
É um convite para olhar o que resta quando a ambição espiritual se torna apenas vaidade estética.
Convido você a subir esses degraus de sombra e encarar o que nos espera no último patamar.