Alves Batista
— "Escrevo para entender — para entender, escrevo." (Alves Batista)
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Textos

HERESIA DA ASCENSÃO

Poesia Gótica por Alves Batista

 

Na torre fria de um deserto antigo,

A dama compra o acesso ao firmamento;

Não busca a paz, mas foge do castigo

De ser apenas carne e esquecimento.

 

Suas tranças de fogo ardem no escuro,

Tecendo o aço em seda, o medo em glória.

Ergue entre os mundos um imenso muro,

Feito do pó de uma fútil vitória.

 

"O ouro é cinza", diz a voz do vento,

Enquanto a flauta sopra um lamento ímpio.

Cada degrau é um novo isolamento,

Cada desejo, um fúnebre precipício.

 

Traz no semblante a paz de uma lousa,

Mas guarda a guerra sob o peito mudo.

É como um pássaro que nunca pousa,

Pois sendo sombra, deseja o tudo.

 

O sino dobra em bronze e agonia,

Saudando o passo frio de metal e tédio.

A alma, em penhor da própria heresia,

Busca no abismo o seu único remédio.

 

No fim da escada, o espelho é o paraíso,

Onde ela reina em solidão profunda.

Não há o céu, nem Deus, nem o sorriso,

Só a vaidade que no vácuo inunda.

 

Rainha morta em trono de quimera,

Metade luz, metade abismo imenso.

A dama é a busca que se desespera,

Queimando a vida em ritual suspenso.

 

 


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Alves Batista
Enviado por Alves Batista em 16/02/2026
Alterado em 18/02/2026
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