Este poema nasceu da suspeita de que alguns territórios não aparecem nos mapas porque foram apagados antes de serem nomeados. Não por acaso, a cartografia aqui é menos geográfica que ética: trata do lugar onde a Justiça naufraga, onde o ar é medido, onde o grito aprende a esperar.
Ao escrevê-lo, busquei uma linguagem que não denunciasse apenas os tiranos visíveis, mas também os mecanismos discretos — o silêncio cultivado, a usura normalizada, a respiração coletiva interrompida.
O épico, neste caso, não é o do herói, mas o do ato mínimo e decisivo: voltar a falar, voltar a respirar, voltar a ouvir.
“CARTOGRAFIA DO GRITO” não oferece salvação externa. Ele insiste numa ideia simples e incômoda: o mapa está incompleto porque nós o estamos. E talvez escrever ainda seja uma forma de traçar linhas onde só havia branco.
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