Soneto por Alves Batista

No bosque antigo, à sombra consagrada,
Onde a fonte desvela o pensamento,
Ela guarda, em seu brando juramento,
A lei que nasce antes de toda alçada.
Não fala: curva ao vento com sentido,
Ouve o mundo em paz, com mansa firmeza,
Revela por fé, com delicadeza,
O fio do poder ali tecido.
Não dá aos reis nem espada nem pendão,
Só lhes dá a rota do céu no seu gesto,
E o dever de ouvir sem imposição.
Por isso sua fonte vence o resto:
Quem rege sem ruído ou ostentação
Retém o poder sem força e sem arresto.

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