Por Alves Batista
Não piso o chão que teus pés inventam.
Sou o que sobra na fissura da pedra,
o sal que amarga o mar que te banha.
És o clarão que dobra o mundo sobre si.
Eu, a fresta por onde a noite vaza.
Ao passares, as flores ensaiam incêndios;
eu sou a bruma
que as apaga antes do oxigênio.
Não me fales de céu,
se minhas unhas guardam apenas cal e entulho.
Quero ser o vento que desfaz teu rastro,
a nota podre no centro do teu coro,
o sonho que te devolve ao deserto sem nome.
Já que não governo o teu reino,
que eu seja ao menos a mancha
que cega o teu espelho.
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