Alves Batista
— "Escrevo para entender — para entender, escrevo." (Alves Batista)
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INADEQUADO

Por Alves Batista


 

Não piso o chão que teus pés inventam.

Sou o que sobra na fissura da pedra,

o sal que amarga o mar que te banha.

 

És o clarão que dobra o mundo sobre si.

Eu, a fresta por onde a noite vaza.

 

Ao passares, as flores ensaiam incêndios;

eu sou a bruma

que as apaga antes do oxigênio.

 

Não me fales de céu,

se minhas unhas guardam apenas cal e entulho.

 

Quero ser o vento que desfaz teu rastro,

a nota podre no centro do teu coro,

o sonho que te devolve ao deserto sem nome.

 

Já que não governo o teu reino,

que eu seja ao menos a mancha

que cega o teu espelho.

 


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Alves Batista
Enviado por Alves Batista em 13/05/2026
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