Por Alves Batista

O cesto parte; a vaga o precipita.
À margem fica a mãe de sentinela.
Não há promessa que a visão admita,
Só a lembrança que no peito anela.
O Nilo traz a voz do édito escuro,
Sangrando o seio num cruel adeus.
Do colo solta o bebê inseguro,
Entregue ao confiável juízo de Deus.
Não escuta um canto de arcanjo em festa,
Nem vê a glória que o porvir encerra;
Só a renúncia, o gesto que lhe resta.
Amarga entrega que o destino aferra:
Fé que lança o filho à correnteza,
Tornou-se o trono da maior tristeza.

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