Cordel por Alves Batista
Não nasci para cabresto,
Nem pra ser encurralado,
Tenho alma e nunca neguei,
Mas não vivo vitimado,
Sigo a minha travessia,
Sem ter rumo demarcado.
Vi erguerem grandes altares
Com discurso bem tecido,
Cada deus com seu formato,
Cada santo bem vestido,
Mas por trás de toda forma
Mesmo molde repetido.
Quem talhou também confia
No que fez com própria mão,
Se inclina só para si
Sem notar contradição,
Forja no próprio produto
A razão da devoção.
Não condeno quem se curva,
Nem chuto o que é louvado,
Cada qual busca o sentido
No que lhe fora ensinado,
Mas não visto a lei alheia
Que me deixa enclausurado.
Se a verdade tem um dono,
Já nasceu aprisionada,
Se precisa de uma cerca,
Já não serve como estrada,
Pensamento com limite
É raiz mal cultivada.
Quem repete o mesmo canto
Não percebe o seu cercado,
Chama fé o que aprendeu
Sem jamais ter duvidado,
E confunde a voz herdada
Com o verbo revelado.
Não sou contra o teu caminho,
Só não sigo lado a lado,
Tenho corpo e tenho pulso,
Não nasci pra ser marcado,
Sigo firme, sigo inteiro,
A minha alma não é gado.
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