Alves Batista
— "Escrevo para entender — para entender, escrevo." (Alves Batista)
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Textos

REBANHO INVENTADO

Cordel por Alves Batista


 

Não nasci para cabresto,

Nem pra ser encurralado,

Tenho alma e nunca neguei,

Mas não vivo vitimado,

Sigo a minha travessia,

Sem ter rumo demarcado.

 

Vi erguerem grandes altares

Com discurso bem tecido,

Cada deus com seu formato,

Cada santo bem vestido,

Mas por trás de toda forma

Mesmo molde repetido.

 

Quem talhou também confia

No que fez com própria mão,

Se inclina só para si

Sem notar contradição,

Forja no próprio produto

A razão da devoção.

 

Não condeno quem se curva,

Nem chuto o que é louvado,

Cada qual busca o sentido

No que lhe fora ensinado,

Mas não visto a lei alheia

Que me deixa enclausurado.

 

Se a verdade tem um dono,

Já nasceu aprisionada,

Se precisa de uma cerca,

Já não serve como estrada,

Pensamento com limite

É raiz mal cultivada.

 

Quem repete o mesmo canto

Não percebe o seu cercado,

Chama fé o que aprendeu

Sem jamais ter duvidado,

E confunde a voz herdada

Com o verbo revelado.

 

Não sou contra o teu caminho,

Só não sigo lado a lado,

Tenho corpo e tenho pulso,

Não nasci pra ser marcado,

Sigo firme, sigo inteiro,

A minha alma não é gado.

 


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Alves Batista
Enviado por Alves Batista em 08/05/2026
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