Haibun por Alves Batista
Acordo com o som do primeiro pingo. Lá fora, o mundo é cinza e movimento. Não há pressa.
Abro a porta.
O vento úmido traz cheiro de barro molhado, de minhoca se enrolando. O local inteiro suspenso.
Na goiabeira — agitação. No meio do alvoroço, um som grave, compacto. Outro som, oco, no chão amolecido.
Na mesa, o café enche a caneca. E pela janela, a manhã se arrasta no canto do pássaro, agora espaçado.
Chuva fina e fria —
neblina matinal traz
o cheiro de terra
varanda do sítio —
na passarada outonal
uma fruta cai
na manhã cinzenta
o sabiá canta menos:
outono chegando
Todo o conteúdo deste texto é protegido pela Lei nº 9.610/98. Sua reprodução, adaptação ou uso sem a devida atribuição ao autor é proibida e pode resultar em ações legais. Para uso autorizado, entre em contato com o autor.