Alves Batista
— "Escrevo para entender — para entender, escrevo." (Alves Batista)
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Textos

ECOS DO OUTONO

Haibun por Alves Batista


 

Acordo com o som do primeiro pingo. Lá fora, o mundo é cinza e movimento. Não há pressa.

Abro a porta.

O vento úmido traz cheiro de barro molhado, de minhoca se enrolando. O local inteiro suspenso.

Na goiabeira — agitação. No meio do alvoroço, um som grave, compacto. Outro som, oco, no chão amolecido.

Na mesa, o café enche a caneca. E pela janela, a manhã se arrasta no canto do pássaro, agora espaçado.

 

Chuva fina e fria —

neblina matinal traz

o cheiro de terra

 

varanda do sítio —

na passarada outonal

uma fruta cai

 

na manhã cinzenta

o sabiá canta menos:

outono chegando
 


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Alves Batista
Enviado por Alves Batista em 18/03/2026
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