Haibun por Alves Batista
O calor acumulado há dias estava pesado sobre telhados e calçadas. Quando a chuva começou, não foi surpresa — foi rendição.
Nas varandas, cortinas se afastam um pouco. Vidros embaçam. A rua perde contornos e vira superfície móvel, espelho instável onde tudo se mistura: fios, postes, nuvens partidas.
No meio da correnteza rasa, passos pequenos atravessam a tarde como se o mundo fosse apenas água e eco.
dias de toró —
no correr das crianças
barulho d'água
noutras janelas —
cada rosto reflete
época chuvosa
pedaços do céu
em cada poça d'água —
lago de verão
Todo o conteúdo deste texto é protegido pela Lei nº 9.610/98. Sua reprodução, adaptação ou uso sem a devida atribuição ao autor é proibida e pode resultar em ações legais. Para uso autorizado, entre em contato com o autor.
Gratidão ao Grupo Chá das Cinco pela mentoria.