Alves Batista
— "Escrevo para entender — para entender, escrevo." (Alves Batista)
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Textos

ESPELHOS PARTIDOS

Haibun por Alves Batista


 

O calor acumulado há dias estava pesado sobre telhados e calçadas. Quando a chuva começou, não foi surpresa — foi rendição.

Nas varandas, cortinas se afastam um pouco. Vidros embaçam. A rua perde contornos e vira superfície móvel, espelho instável onde tudo se mistura: fios, postes, nuvens partidas.

No meio da correnteza rasa, passos pequenos atravessam a tarde como se o mundo fosse apenas água e eco.

 

dias de toró —

no correr das crianças

barulho d'água

 

noutras janelas  —

cada rosto reflete

época chuvosa

 

pedaços do céu

em cada poça d'água —

lago de verão

 


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Gratidão ao Grupo Chá das Cinco pela mentoria.

 

Alves Batista
Enviado por Alves Batista em 01/03/2026
Alterado em 01/03/2026
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