Alves Batista
— "Escrevo para entender — para entender, escrevo." (Alves Batista)
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Textos

UM GOLPE CRUEL

Poesia por Alves Batista

 

Não me peça que demore o olhar

No agora que escorre pelos dedos,

Pó de areia que o vento vem levar

Antes que se desfaça em medos.

 

Já te perco na hora em que te vejo,

Qual despedida cravada sob a pele:

O amanhã corrói o próprio desejo,

Deixa amargo no centro do teu mel.

 

Teu riso irrompendo em cachoeira,

Tua mão adormecida no meu peito,

Tua língua, incêndio e brincadeira

No sal do meu terreno imperfeito.

 

Corpos rolando à meia-luz macia,

Trovão que a noite inteira consuma,

Pele que exala o calor da rebeldia,

E logo se quebra em tênue espuma.

 

Chora, se for preciso — mas demora,

No travesseiro ainda quente e vivo;

Guarda meu cheiro até que a aurora

Te arranque o céu do sonho furtivo.

 

E quando a falta for teu corpo inteiro

Pesando no íntimo vazio do teu lado,

Que esta secura funda, golpe certeiro,

Seja o meu nome em ti entranhado.

 


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Alves Batista
Enviado por Alves Batista em 18/02/2026
Alterado em 18/02/2026
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