Alves Batista
— "Escrevo para entender — para entender, escrevo." (Alves Batista)
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SEM GARANTIAS

Carta por Alves Batista


 

Minha querida,

 

A casa aprendeu o teu silêncio.

Os objetos não falam da tua ausência:

eles a são.

 

Dizem que o tempo é linha, relógio, foice.

Eu sei que não.

O tempo é um jardim —

e nem toda semente acorda quando queremos.

Algumas apenas suportam a terra.

 

Plantei a tua espera em mim.

Rego.

Espero.

Não prometo.

Às vezes, o vento traz um cheiro que não é daqui.

Quase te vejo.

Não como lembrança — isso seria menos cruel —

mas como possibilidade.

E possibilidades cansam.

 

Vivo entre os homens, tomo meu café.

Eles pensam que sou inteiro.

Mal sabem: carrego dois tempos no peito —

um que vive,

outro que arruma a casa

sem saber se haverá visita.

 

Segue tua viagem.

 

Não leves minha saudade como fardo,

mas não a tomes por leve.

Ela pesa,

e eu fico com o peso.

Minha alegria não acabou.

 

Ela aprendeu a esperar até doer.

 

Enquanto isso, observo o mundo continuar:

o pão cresce, o vinho se abre,

a fumaça sobe

sem prometer retorno.

Nem tudo volta.

Nem tudo se perde.

No quintal, rego a terra com água e silêncio.

Se a semente do teu regresso romper a crosta do tempo,

estarei aqui.

Se não romper,

a terra saberá

que foi cuidada.

 

—

Aquele que não te esquece.

 


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Interações:

 

TÂNYAVIX

 

Plantei tua espera em mim
como quem semeia um jardim secreto.  
Cavei fundo no peito,
afofei a terra dos medos
e reguei com esperança.  

No início, era só silêncio...
um vazio fértil.  
Mas, aos poucos,
tua ausência começou a brotar
em pensamentos floridos,  
em sonhos que insistem em nascer
mesmo nas estações mais secas.  

Te esperar virou raiz.  
Criou força,
atravessou o tempo,
sustentou meus dias.  

E agora carrego em mim esse jardim invisível,  
onde cada folha sussurra teu nome  
e cada flor desabrocha na certeza  
de que esperar também é
uma forma bonita de amar.

 

 

Alves Batista
Enviado por Alves Batista em 10/02/2026
Alterado em 12/02/2026
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