Prosa Poética por Alves Batista
Aqui estamos.
Não no princípio, cheios das luzes cegantes do talvez.
Mas neste lugar sagrado que construímos a sós.
O ruído do mundo desvaneceu-se à porta.
Já não há mais para onde correr, nem segredos a guardar.
Minha alma está desnuda,
não por acidente, mas por escolha —
uma oferenda depositada em tuas mãos.
Sinto o peso solene deste momento.
A quietude que precede o veredito final do coração.
É como entregar a chave do último cômodo,
aquele que ainda guardava sombras, e dizer:
“Tudo o que sou reside aqui. Toma.”
Não é um pedido de socorro, mas um convite silencioso.
É a coragem de parar de construir muralhas e,
finalmente, habitar a mesma casa.
No teu olhar, não vejo medo,
mas um reconhecimento —
um espelho da minha própria entrega.
Aqui estamos,
no fim de todas as fugas.
No limiar de tudo o que pode ser.
O amor já não é uma pergunta,
mas uma respiração compartilhada.
Um instante eterno que decidimos,
juntos chamar de nosso.
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Elixandra (costura pensamento filosófico)
O fio,
cansado de resistir, arrebenta.
E o que era limite vira pele.
Uma só carne em vigília,
um só olhar que se devora,
um só tu atravessado o eu.
Aí não é pressa nem promessa.
É contato que fica na pele
depois que o texto acaba.
No limiar do agora, tudo suspende,
respira fundo antes de avançar.
Cai o peso do tempo que prende,
e deixa-se simplesmente estar.
Não estamos sós
Estrelas são lágrimas
Caindo por nós.