Alves Batista
— "Escrevo para entender — para entender, escrevo." (Alves Batista)
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O ALICERCE DO AMANHÃ

O tempo é um rio antigo

Que não aprendeu a voltar;

Arrasta o peso do vivido

E devolve o que ousamos sonhar.

 

Neste primeiro de janeiro,

Não supliques ao destino:

Faz-te a mão, faz-te obreiro,

Sê gesto limpo e cristalino.

 

O ontem é folha caída,

Humus quente no chão do ser;

De cada hora renascida,

Só o agora consente viver.

 

Não temas o ano sem nome,

Nem o mapa ainda em branco:

O passo que hoje se move

Já altera a forma do canto.

 

Que a pressa não rasgue o dia,

Nem o medo silencie a voz;

Que a alegria, quando é tua,

Faça ponte viva entre nós.

 

Planta o amanhã na coragem,

Regue o instante com fé:

A vida não pede passagem —

Exige-nos sempre de pé.

 

Alves Batista
Enviado por Alves Batista em 01/01/2026
Alterado em 01/01/2026
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