Alves Batista
— "Escrevo para entender — para entender, escrevo." (Alves Batista)
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Textos

O Vinho da Aurora

Soneto natalino por Alves Batista

 

Não veio o Rei com trompas nem clarão,
mas como infante em feno a repousar;
um sopro frágil vence a escuridão,
a Fonte eterna em carne a se ocultar.

 

Os anjos olham, mudos de assombro,
ao Verbo em lenho, em colo a se aquecer;
não rompe grilhões com estrondo ou rombo,
mas com silêncio aprende a padecer.

 

Seu trono é palha, o cetro é coração,
seu reino é graça, império de perdão;
a paz não nasce em armas ou poder,
mas no arrependimento e novo ser.

 

E quem se faz berço e ousa o acolher,
descobre em si o Deus que veio nascer.

 

Soli Deo Gloria.

 

Alves Batista
Enviado por Alves Batista em 19/12/2025
Alterado em 21/01/2026
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