Soneto natalino por Alves Batista
Não veio o Rei com trompas nem clarão,
mas como infante em feno a repousar;
um sopro frágil vence a escuridão,
a Fonte eterna em carne a se ocultar.
Os anjos olham, mudos de assombro,
ao Verbo em lenho, em colo a se aquecer;
não rompe grilhões com estrondo ou rombo,
mas com silêncio aprende a padecer.
Seu trono é palha, o cetro é coração,
seu reino é graça, império de perdão;
a paz não nasce em armas ou poder,
mas no arrependimento e novo ser.
E quem se faz berço e ousa o acolher,
descobre em si o Deus que veio nascer.
Soli Deo Gloria.