História infantil por Alves Batista
Era uma vez um desertinho.
Não era um desertinho de brincadeira.
Era daqueles de verdade.
Com areia pra todo lado.
E um sol que dizia:
— Oi, eu sou o dono do céu!
Nesse desertão morava Zira.
Zira era uma gazela cor de mel.
Ela tinha uns olhinhos que pareciam
duas sementinhas pretas cheias de perguntas.
Zira ouvia os mais velhos contarem uma história...
Uma história gostosa de ouvir.
De um lugar que tinha:
— Água fresca que dava vontade
de dar um mergulho de barriga!
— Sombrinhas de árvores
que faziam festa para o calor passar!
Esse lugar se chamava Oásis.
Zira sonhava com ele.
Fez até um desenho do oásis na areia
com a sua patinha.
Um dia, Zira estava olhando para o horizonte...
Viu!
Plim!
Lá longe, uma coisa verde!
Verde como bala de menta!
Fresquinha de se olhar!
— Êba! — gritou Zira.
— É o meu oásis! Ele está me chamando!
Saiu pulando.
Pulou tanto, tanto,
que parecia pipoca no fogo.
O coração dela batia assim:
Tum-tum-tum-tum!
De alegria!
— Já cheguei! — pensava.
Mas o oásis fugia um pouquinho.
Ela andava, ele andava.
Ela corria, ele corria.
Era uma brincadeira de pega-pega com o vento.
Quando Zira finalmente chegou bem pertinho...
Puf!
Sumiu!
O verde virou areia de novo.
A água fresca era só o suco do seu cansaço.
Zira parou.
Sentou na areia quente.
E pensou assim, com a cabecinha dela:
— Ah, desertinho malandro!
Você me prega uma peça!
Me mostra um castelo de areia pros meus olhos...
Só para eu descobrir que era ilusão!
Ela ficou triste.
Uma tristezinha pesada, mais que uma pedra.
Mas então Zira pensou de novo:
— Espera aí...
Se eu não tivesse visto a tal da miragem...
Será que eu teria andado tanto?
Será que eu teria descoberto
que as minhas pernas são fortes?
A miragem era uma mentirinha.
Mas a coragem que ela deu... essa era de verdade!
Zira levantou.
Se sacudiu.
A areia voou que era uma beleza.
Ela olhou para o deserto que não tinha fim.
E decidiu:
— Pois então vou continuar minha caminhada!
Quem sabe o que eu encontro na próxima curva?
Quem sabe o que o desertinho esconde
depois daquela duna?
E foi assim que Zira seguiu.
Não atrás de um sonho falso.
Mas com a coragem verdadeira de quem sabe andar.
Porque às vezes,
a gente precisa de uma ilusão
para descobrir uma força bem real.