Poesia/Humor por Alves Batista
No palco lustroso da COP trintena,
o Brasil se exibe manso, ave serena.
“Até o boto em transe nos sustenta!”
O mundo aplaude a crise que enfrenta.
Onças poliglotas do meio da floresta
anunciam no iate mais uma festa.
Macacos engravatados, num enredo,
aprovam o clima, mas o clima é medo.
Enquanto o verde tomba e cai em pó,
o país repete o truque de sempre: só.
Um sapo gerente salta ao improviso,
vendendo a fé no escuro, sem aviso.
E o show prossegue, a massa em frenesi:
“É circo, trama ou falha posta ali?”
Nos bastidores, longe da disputa,
fora do roteiro, a Amazônia luta.