O Indriso e as suas formas
Por Alves Batista
Sístole (original): (3-3-1-1)
Um verso novo, ave em madrugada,
rasga o silêncio antigo do soneto
e abre a asa da sílaba encantada.
O pensamento é flecha em céu aberto,
sem correntes que prendam sua canção,
traça no ar um compasso mais desperto.
A forma é lei que desperta;
a arte, céu em expansão.
Diástole (1-1-3-3)
A semente.
O verbo.
Rompe a terra do papel branco,
Cresce verso, busca a luz,
Não pede licença ao modelo antigo.
A lei que liberta, a mão que solta o voo,
O céu que se expande no ritmo inventado,
A forma que é gaiola e asa ao mesmo tempo.
Duas Sístoles (3-1-3-1)
A mão que traça o verso no papel,
soltou as correntes da fantasia.
Seu pulso guarda um ritmo, um eco secreto.
Lei que imagina.
O pensamento, ave de arrebataria,
Corta os ares com suas asas sílabas,
Com seu voo rasante toca o chão.
Pés na terra — olhos no infinito.
Duas Diástoles (1-3-1-3)
Voa, voa meus versos.
Rasga o véu do silêncio habitado,
O novo canto, desalinhado e puro,
Flutua livre como vaga-lume no escuro.
Sem alvo, mas com destino no infinito,
A lei breve que contém um universo,
Poema que se faz asa e vento,
Semente de um sempre inacabado.
Sístole Interna (3-1-1-3)
O verso é gaiola sem arame,
O lugar perfeito da criação
De silêncios que se abrem.
Porta de céu.
Universo encantado.
Pássaro voa, dono do ar e do limite,
Pousa no umbral do que foi desenhado
E dali canta sua liberdade.
Diástole Interna (1-3-3-1)
Encontrei um ponto.
De partida, não de chegada ou fim,
Onde a forma é semente e não sepulcro,
Onde o ritmo é pulsar, não é grilhão.
O pensamento voa em céu de regras,
Desenha círculos, depois os quebra,
Inventa seu próprio norte e caminho.
Expansão dos versos.
