Alves Batista
— "Escrevo para entender — para entender, escrevo." (Alves Batista)
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Textos

O Novo Velho Frankenstein (2025)

Resenha por Alves Batista


 

Primeiras impressões

Assisti à nova adaptação de Frankenstein meio desconfiado.
Já perdi a conta de quantas vezes essa história ganhou vida.
Mas desta vez, algo diferente aconteceu.

Este Frankenstein é velho no coração e novo na carne.
Um choque elétrico no mito — daqueles que fazem a gente lembrar
por que ainda vale revisitar os monstros.

 

A Direção: um pesadelo de beleza

O diretor (cujas escolhas visuais são de cair o queixo) entende o peso do nome que tem nas mãos.

Ele mergulha no gótico, mas traz o horror pra perto — úmido, palpável, quase biológico.

Os laboratórios parecem feitos de carne e ferrugem.
É aquele tipo de filme em que até a luz soa viva.

Cada quadro parece respirar e gritar.

 

A Criatura: dor em carne viva

A Criatura aqui não é um amontoado de parafusos.
É uma tragédia ambulante.

O ator entrega uma performance bruta e comovente — daquelas que fazem o público prender a respiração.

O olhar dele é puro sofrimento: raiva, medo, confusão.
Ele não quer ser mau, só quer existir sem ser odiado.

A maquiagem é incrível, mas o que mais impressiona é a interpretação da alma por trás daquelas cicatrizes.

 

Victor Frankenstein: o verdadeiro monstro

Victor é o reflexo do nosso tempo:
brilhante, arrogante, obcecado por ultrapassar o que é humano.

O filme acerta ao não pintá-lo como um louco, e sim como um homem comum com poder demais.

No fim, a criatura é só o espelho das escolhas que ele (e talvez nós) não quisemos encarar.

 

O que fica ecoando

O roteiro toca em temas que nunca envelhecem:

  • O que é ser humano
  • A responsabilidade de criar
  • O medo do diferente

Em plena era da inteligência artificial, é impossível não ver o paralelo.

Frankenstein, no fundo, é sobre todos os filhos que o mundo rejeita e sobre os criadores que não assumem o que fizeram.

 

Veredito

Não espere sustos nem sangue fácil.
Este é um terror de silêncio e desconforto.

O ritmo é lento, os diálogos são densos, mas tudo serve à ideia.

Quando os créditos sobem, não dá pra sair da sala sem sentir aquele peso bom — o de ter visto algo que realmente pensa.

 

⭐ Nota: 9,5/10

Um filme que prova que velhas histórias ainda têm muito a dizer, se forem contadas com coragem e um toque de loucura.

O novo Frankenstein é exatamente o que o cinema precisava:
um lembrete de que os monstros mais assustadores ainda somos nós.

 

"E assim o coração se partirá e partido continuará a viver."
— Frankenstein (2025)

 

Alves Batista
Enviado por Alves Batista em 07/11/2025
Alterado em 27/12/2025
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