Poesia Comemorativa por Alves Batista
No dia vinte e nove de outubro, acendo
O abismo que repousa.
Cada volume é um corpo negro, prendendo
A luz que se repousa.
Não os amamos só por tato ou visão;
É lume que refaz.
Do verbo nasce o mundo em combustão,
E a sombra se desfaz.
Podemos domesticá-los nas estantes,
Ou dar-lhes céu aberto;
Gestos são, tantas vezes, delirantes
Espelhos do deserto.
Mas hoje é dia de honrar a contradição:
O livro é chama e mar.
É caixa, mapa, voo e revelação,
Silêncio a se inflamar.
Oh, pedaço de mundo entre duas capas,
Tão frágil e imortal,
És asa que não bate e nos escapa,
E ergue o corpo ao astral.
Não os queimamos, nem lançamos fora,
Guardamos a ousadia
Deste astro-mudo cuja luz sonora
É verbo e rebeldia.