Alves Batista
— "Escrevo para entender — para entender, escrevo." (Alves Batista)
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DIA NACIONAL DO LIVRO

Poesia Comemorativa por Alves Batista


 

No dia vinte e nove de outubro, acendo

O abismo que repousa.

Cada volume é um corpo negro, prendendo

A luz que se repousa.

 

Não os amamos só por tato ou visão;

É lume que refaz.

Do verbo nasce o mundo em combustão,

E a sombra se desfaz.

 

Podemos domesticá-los nas estantes,

Ou dar-lhes céu aberto;

Gestos são, tantas vezes, delirantes

Espelhos do deserto.

 

Mas hoje é dia de honrar a contradição:

O livro é chama e mar.

É caixa, mapa, voo e revelação,

Silêncio a se inflamar.

 

Oh, pedaço de mundo entre duas capas,

Tão frágil e imortal,

És asa que não bate e nos escapa,

E ergue o corpo ao astral.

 

Não os queimamos, nem lançamos fora,

Guardamos a ousadia

Deste astro-mudo cuja luz sonora

É verbo e rebeldia.

 

Alves Batista
Enviado por Alves Batista em 29/10/2025
Alterado em 10/01/2026
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