Por Eligio Moura e Alves Batista
O vento é canto doce e penetrante,
Ora lamento, ora riso no ar,
O poeta sabe bem como soprar
Nos instantes de júbilo vibrante.
Peregrino entre abismos e pranto,
Carrega a voz da musa e o aroma,
Da rosa que em silêncio se entoa,
Livre, brando ou forte, em todo canto.
Quem poderá reter tal liberdade?
Tão suave toque, pleno de carinho,
Sem exigir nada, só aproveitar.
Talvez seja amor e sabedoria,
Dádiva da vida, puro caminho,
Que volta ao jardim só pra rosa beijar.
(Alves Batista — Resposta Poética)
Sou o silêncio em que o vento repousa,
E a rosa em que o sopro se recria;
Quando ele canta, a pétala se inclina,
Sou o instante do encontro que floresce.
Nada começa: tudo se renova.
Renasce a melodia do beijo em flor;
O vento aprende o perfume que entoa,
A rosa aprende o voo que o embala.
Não há cantor, nem musa, nem canção,
É só o hálito breve do universo,
Respirando em ternura e gratidão.
Nesse sopro eterno e diverso,
Vento e rosa se fazem coração —
Um só amor, num mesmo verso.

NOTA DE GRATIDÃO:
Com profunda reverência, agradeço ao mestre Elígio Moura pelo privilégio de partilhar versos em dueto. Sua escrita, de técnica refinada e alma elevada, é fonte de inspiração e aprendizado.
Sinto-me honrado por este encontro de vozes, onde o vento e a rosa se fizeram poesia.
Deus seja louvado!