Cordel por Alves Batista
No tempo de algoritmo,
Tudo é dado calculado,
O feed mostra o caminho,
O desejo é programado.
Parece que a vida inteira
Foi num código instalado.
Prometem felicidade,
Um bem-estar garantido,
Mas dentro do coração
Fica um vazio escondido.
Na era da conexão,
Surge um sofrer sem sentido.
A alegria que era dom
Vira gráfico e tabela.
Quem não segue o desempenho
Sente o peso e a cautela.
O padrão dita o sorriso,
A alma chora por ela.
O avatar brilha na tela,
Com seu rosto digital.
Recebe aplauso e curtida,
Faz sucesso virtual.
Mas o eu de carne e osso
Fica triste e desigual.
A multidão se conecta,
Mas falta abraço e calor.
O algoritmo nos prende
Num círculo sem sabor.
O acaso foi apagado,
Com ele o sonho e a flor.
Mas de repente ressurge
Um grito forte e certeiro:
“Quero o erro, o tropeço,
O caminho verdadeiro!
Quero o tédio que me inspira,
E o sentir mais por inteiro!”
Não se trata de quebrar
A máquina poderosa,
Mas de domar seu capricho
Com a força mais formosa:
Criar na desordem viva,
Na vida simples e honrosa.
Pois viver só de aparência
É prisão de escuridão.
A liberdade habita
Na força do coração.
Humanidade é caminho,
Não se resume em padrão.
(Fim)
APAGAR O SONHO?
IGNORAR A FLOR
A EXTASIA
E SEU PERFUME?
MAS SE NA ALMA COMPONHO
VERSOS QUE SEGUEM O LUME...
DA ALEGRIA E DA POESIA?!
APAGAR O SONHO?
E VIVER SEM LIBERDADE
COM A ALMA NA ESCURIDÃO?
QUERO O DESALINHO QUE INSPIRA!
E O TROPEÇO QUE REFAZ!
QUERO O TÉDIO QUEBRADO
PELA DESORDEM VIVA QUE APRAZ!
NÃO QUERO ME DESTRUIR
NOS CAMINHOS EM QUE ENCONTREI...
DEMASIADO SABER
DEMASIADO RIGOR!
QUERO DO CORAÇÃO A VERDADE
COM SUA FORÇA EM AÇÃO
E QUE A HUMANIDADE
FUJA A TANTO PADRÃO!
Como a tetraktys que Deus emprega,
Para manifestação do universo,
Gera um padrão que tudo diversa,
Leonardo Pisa mostra com sucesso,
Na progressão Fibonacci,
Como se Deus a calculasse,
Pra ser a mais rígida regra,
Do aparente controverso...
Como a tetraktys que Deus emprega,
Para manifestação do universo...
E nessa era digital
Vejo tanta traição
A mentira virou moda,
Não causa mais aflição
Daquela que arrasa o peito
Sem ter pena ou compaixão!