Homenagem por Alves Batista
Em algum lugar entre o rumor do mundo e o silêncio das páginas fechadas, alguém ergue uma ponte invisível.
Não de pedra, nem de ferro — mas de paciência e esperança entrelaçadas, como fios de uma antiga tecelagem.
Essa ponte leva da sombra à claridade.
E quem a constrói, todos os dias, é o professor.
Com o pó do giz, ele desenha horizontes.
Com o cansaço das mãos, ele molda auroras.
Sua sala é um ateliê de destinos, onde o pensamento, ainda tímido, aprende a abrir os olhos.
Ele não ensina apenas — ele acende.
No gesto simples de explicar o mundo, abre janelas para que a alma veja o céu de sua própria inteligência.
E quando o aluno, de repente, murmura um “ah, agora eu entendi!”, o universo inteiro parece respirar junto.
A escuridão recua um pouco.
Uma estrela nova se acende no mapa do futuro.
O professor trabalha com o tempo — essa matéria indomável.
Semeia no presente árvores que não verá crescer,
lança pedras na água da infância sem saber até onde as ondas chegarão.
E ainda assim, acredita.
Porque há uma fé antiga escondida em seu ofício: a fé de que toda luz, mesmo pequena, encontrará um rosto para iluminar.
Há dias em que o vento sopra duro, e a ponte treme.
Mas basta um olhar desperto, uma descoberta que floresce,
para que tudo volte a fazer sentido —
como se a esperança, cansada, tivesse voltado a cantar.
Por isso, hoje, celebramos mais que uma profissão: celebramos a coragem de esperar.
O amor que se disfarça em lição,
a paciência que se veste de repetição,
a sabedoria que se entrega, gota a gota, até o último dia.
Professor —
guardião de auroras, jardineiro do invisível,
que transforma o barro da dúvida em ouro silencioso —
que você nunca se esqueça:
cada palavra dita é uma semente.
E o mundo, tão escuro às vezes, é menos sombrio
porque você, em silêncio,
decidiu acender uma vela.