Por Alves Batista
🎵 Leia ouvindo: “Please Forgive Me” — Bryan Adams
Para você, que habita meus dias.
Escrevo com o coração cheio até a borda,
transbordando de um sentimento
que só encontro nome em ti.
Não me julgues por uma falta,
mas por este amor que me ultrapassa.
Perdoa-me, pelo fogo que acendeste em mim,
que não consigo — nem quero — apagar.
Quando estou contigo, o mundo não para:
ele se reinventa.
Cada instante traz o frescor do primeiro,
como o susto maravilhoso
de ver minha alma refletida na tua.
Nesse reflexo, descubro um homem que mal reconheço:
mais vulnerável, mais completo, mais ativo.
Vivo a ponto de sentir-me
no cume de um vulcão de alegria,
pronto a ser consumido por ela.
E que doce seria.
Este amor não conhece fim.
Não vai a lugar algum,
porque nunca chega ao limite.
É um oceano sem margem —
e nele eu sigo,
perdido e encontrado ao mesmo tempo.
Por isso, peço-te absolvição:
se o meu olhar te devora como no primeiro dia;
se o meu abraço parece querer
fundir nossas almas em uma só;
se minhas palavras são insuficientes
e, ainda assim, excessivas.
Preciso de ti nesta noite — e em todas.
Preciso como a terra precisa da chuva:
não como um acontecimento,
mas como condição de vida.
E se, no meio de um beijo
ou no silêncio que partilhamos,
notares um brilho de lágrima em meus olhos,
não penses em tristeza.
É apenas o coração transbordando
mais do que o corpo pode conter.
É o pedido de desculpas de um homem
que nada lamenta,
mas teme que o que sente
seja grande demais para caber no mundo.
Faça-se o teu favor, a minha expiação —
por não saber amar pela metade,
por não conseguir esconder,
por fazer do amor não um gesto,
mas o meu próprio estado de ser.
És, e sempre serás,
o lugar onde meu coração repousa em casa.
Com todo o amor que não soube conter,
Aquele que te ama, sem perdão e sem arrependimento.
