Por Alves Batista
Querido Pai Celeste,
Tu que ouves a canção
que os corações esqueceram de cantar.
Não te peço maravilhas distantes,
mas o simples milagre de lembrar.
Faz com que os adultos se recordem de mim —
intocado, escondido atrás de seus muros altos.
Ultimamente tenho me sentido tão isolado...
Até as crianças de hoje parecem não me reconhecer.
Hoje, curvo a cabeça não em penitência,
mas em saudade.
Perdoa, Papai, por me silenciarem
com a algazarra do mundo.
Por terem trocado Tua confiança por cálculo,
Tua maravilha por cinismo
e Tua magia por explicações vazias.
Quando eles, os adultos,
pesarem os ombros com preocupações,
faz com que minha mão esteja estendida a eles.
Que ela enxugue as lágrimas derramadas
e transforme o choro em riso.
Deixa que minha voz cante
a canção de ninar que eles, um dia, adoravam.
E nos momentos de maior escuridão,
Tu sussurres ao nosso ouvido:
“Olhem por cima dos ombros, crianças...
Eu estarei lá.”
Sou a Tua pequena faísca,
que ainda sabe dançar sob a lua.
Sei que, ao contemplar o mundo,
Teus olhos ainda brilham.
Sou a Tua semente que cura,
plantada em cada coração.
Sou a Tua própria essência divina.
“Eloí, Eloí, Lamá Sabactâni!”
— nunca mais será dito.
Juntos, criança e adulto,
seremos um só novamente:
fortes pela experiência,
mas puros pelo coração;
criativos pela técnica,
mas inspirados pelas descobertas.
Guia-nos, ó Grande Pai e Fonte da Vida,
para que sejamos:
os guardiões, os melhores amigos
e o lar eterno da Tua ETERNA CRIANÇA,
que somos — e que sempre seremos.
Amém.
