Alves Batista
— "Escrevo para entender — para entender, escrevo." (Alves Batista)
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NOITE EM DOIS TONS

Poema por Alves Batista

Inspirado no conto:

PELA JANELA ABERTA...A PIANISTA TOCA " FÜR ELISE "  — Lélia Angélica

 

 

Ele desperta com sono, um sopro de luar,
no seio da Terra, notas a se beijar.
“Für Elise” desliza, tão doce, tão pura,
o tempo se desprende da sua estrutura.

 

Janela aberta, e um encanto, um mistério,
sua alma tocada por notas de refrigério.
Lá está ela tocando com muito ardor,
com dedos que falam de perda e amor.

 

Ela é alvorada em sorriso contido,
e à noite, silêncio em vestido fluido.
No piano, revela dizeres sem dizer,
acordes de si que não sabe conter.

 

Toca e se cala, se mostra e se esconde,
como se o piano fosse o mundo defronte.
Ela é a harmonia, sem máscara, nem véu,
uma dissonância íntima entre terra e céu.

 

Ele, encantado, não quer entender,
prefere sentir, prefere viver.
E quando ela se torna paixão,
ele se entrega, sem hesitação.

 

Duas faces, um corpo, um só coração,
entre o luto e o desejo, a revelação.
E todas as noites, no som do teclado,
o amor se faz verbo, o tempo é calado.

 

Há beleza naquilo!
Naquilo que se ecoa,
naquilo que silencia,
naquele verso que soa.

No silêncio entre uma nota sem rota,
Ela é inteira — dois tons numa nota!

 

Alves Batista
Enviado por Alves Batista em 29/08/2025
Alterado em 09/01/2026
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