Poema por Alves Batista
Inspirado no conto:
PELA JANELA ABERTA...A PIANISTA TOCA " FÜR ELISE " — Lélia Angélica
Ele desperta com sono, um sopro de luar,
no seio da Terra, notas a se beijar.
“Für Elise” desliza, tão doce, tão pura,
o tempo se desprende da sua estrutura.
Janela aberta, e um encanto, um mistério,
sua alma tocada por notas de refrigério.
Lá está ela tocando com muito ardor,
com dedos que falam de perda e amor.
Ela é alvorada em sorriso contido,
e à noite, silêncio em vestido fluido.
No piano, revela dizeres sem dizer,
acordes de si que não sabe conter.
Toca e se cala, se mostra e se esconde,
como se o piano fosse o mundo defronte.
Ela é a harmonia, sem máscara, nem véu,
uma dissonância íntima entre terra e céu.
Ele, encantado, não quer entender,
prefere sentir, prefere viver.
E quando ela se torna paixão,
ele se entrega, sem hesitação.
Duas faces, um corpo, um só coração,
entre o luto e o desejo, a revelação.
E todas as noites, no som do teclado,
o amor se faz verbo, o tempo é calado.
Há beleza naquilo!
Naquilo que se ecoa,
naquilo que silencia,
naquele verso que soa.
No silêncio entre uma nota sem rota,
Ela é inteira — dois tons numa nota!