Alves Batista
— "Escrevo para entender — para entender, escrevo." (Alves Batista)
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Textos

CARTA AO AMOR QUE ME HABITA

Poema por Alves Batista

 

Amado amor,

Com a tinta quente do corpo,
essa substância sem nome
que reconheci a aprender
vendo teus dedos traçarem distâncias
sobre minha pele desmemoriada.

Escrevo-te.

 

Teu nome é o que permanece
quando a noite esfria o assoalho
e o tempo se dissolve
no tique-taque do relógio vazio.

 

Não me fales de paixão:
fala-me da fome antiga,
pão que sangra migalhas na penumbra,
da faca que afia seu fio
no osso curvo do meu silêncio
e ainda assim me ensina
a cortar a própria carne
sem fazer ruído.

 

Amor, não me ensines a sobreviver.
Apenas seca meu suor com teu hálito
e chama de “lar”
este abismo onde nos desabitamos.

 

 

Alves Batista
Enviado por Alves Batista em 09/08/2025
Alterado em 08/01/2026
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