Versão por Alves Batista
Dizem que aconteceu lá pras bandas das Orópa, numa tal de Universidade de Óquisford, onde até o café é diferente (prefiro o de Minas).
Pois bem, foi lá, numa competição de gramática daquelas chiques que só vendo, com jurados de óculos sem lente e sem grau — só pra parecer mais inteligente.
Parecia gente do Góti Tálenti.
Óia, tava lá uns duzentos cabras de mente afiada, tudo "homi".
Um mais "mitido" que o outro.
Tinha uns dois lá que... hum, num sei não!
A disputa era pra mais de cumplicada:
Resumir numa única frase três coisas difíceis de se encontrar juntas:
paz, felicidade e economia.
Rapaz, só se via cabra suando a testa, caçando dicionário, livros dos filósifis (grande Mussum!) e até uns arremates Chêquispriano.
(Fala, Mazzaropi!)
Um, com cara de fiofó limpo com lenço de seda, escreveu:
— “A harmonia do espírito reside na frugalidade do coração.”
Menino... até o pombo que tava assistindo bateu asa, com medo de pegar depressão.
Outro, com cara de sabão vermelho suado do sereno, mandou:
— “A paz é o silêncio da alma feliz e econômica.”
Atrás de mim, um com cara de mequetrefe até juntou as mãos pra aplaudir.
Olhou pro lado, num viu ninguém ir junto...
e afinou feito sanfona sem fole.
Lá no fundão, um moreno simples, camisa xadrez, palito de fósforo no dente, chapéu di páia, com aquela cara de quem já tomou café com pão dormido e achou bom.
Brasileiro, claro. Do interior de São Paulo, dizem.
(Risos do tipo tio Barnabé.)
O "homi" olhou pra banca, coçou as "quexadas" e escreveu com letra firme:
— MINHA ESPOSA ESTÁ DORMINDO.
Silêncio.
Cristo do céu!
O "vácu" foi tão grande que dava pra ouvir o pensamento dos jurados fritando.
E então, como quem descobre o sentido da vida num meme, a banca pipocou em aplausos.
Gente levantando, chorando, gritando “GÊNIO!”.
Os óculos sem lente viraram confetes no auditório.
A singela frase sintetizava tudo:
Homi!!
O cabra ganhou medalha, diploma, e dizem que até um "váuxim" pra hotel "xique" de gringo.
De volta ao Brasil com a cara de pai d’égua, chegou em casa…
A esposa estava acordada.
E aí, meu amigo...
E retornou a cobrança do parcelamento da vida em suaves desalentos.
Este causo foi inspirado em um texto de autoria desconhecida, amplamente compartilhado em redes sociais e fóruns literários.
A versão aqui apresentada é uma homenagem e releitura, com o toque pessoal do autor.
Homenageio com esta crônica humorística: