Há dias em que a cidade inteira cabe numa sacada. Foi o que fiz ontem: deixei que a folia viesse até mim — em corpos, em cheiros, em silêncios.
De um lado, o samba que mexia a multidão. Do outro, o beijo anônimo, rápido, afogado no calor e no perfume da noite.
Num canto mais quieto, o olhar demorado de um casal que já não dança no ritmo da bateria — mas dança.
O poema, às vezes, é isso: um jeito de estar dentro e fora ao mesmo tempo.
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