Alves Batista
— "Escrevo para entender — para entender, escrevo." (Alves Batista)
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MULHER INFINITA
Data: 07/03/2026
Créditos:
Texto: "MULHER INFINITA" - Alves Batista
Voz: SUNO
Trilha Sonora: SUNO
Edição de som: Alves Batista
Software de edição: Audacity
Copyright © 2026. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.

MULHER INFINITA

Poema em homenagem às mulheres

Por Alves Batista


 

“Onde estavas tu, quando eu lançava os fundamentos da terra?”

— Jó 38:4

 


 

I. O Tear Invisível

Na vida da mulher

há um fio secreto,

tecido de corpo e sopro,

de ordem e vertigem.

Ela caminha por dois caminhos

que não se opõem:

entrelaçam-se

como raízes que se reconhecem

no escuro da terra.

 

II. O Pão

Um deles conhece a medida:

o pão partido com cuidado,

o gesto que aprende a esperar.

É mão que sustém,

palavra que se aquieta

para caber no mundo.

 

III. O Fogo

O outro não sabe conter-se:

arde, dança, inventa.

É voz que nasce sem mapa,

canto que se lança

onde a noite ainda não tem nome.

 

IV. A Guardiã

A mulher —

atenta ao que pulsa e ao que dura —

guarda o encontro.

Em seu centro,

o fim se torna origem

a cada semente que brota —

outras dormem ao fundo da mão.

Não escolhe entre céu e chão:

recolhe estrelas e raízes

no mesmo cesto.

Sua história é rito invisível:

um corpo que celebra,

uma alma que pressente

o que não termina.

 

V. As Duas Faces

Assim, ela segue inteira.

O que nela parece oposto

apenas se alterna

como a respiração do mundo:

hora recolhimento,

hora incêndio.

E o divino se insinua

tanto no que se ordena

quanto no que transborda.

 

VI. O Oráculo

No fundo —

onde o tempo se desfaz —

uma voz quase sem voz murmura:

 Tudo é passagem.

Tudo é procura.

E no coração da mulher —

 

 —  —  —

 

 o que se divide

 talvez seja apenas

 um gesto

 da mesma eternidade.

 

VII. Epilogo

“Viva agora as perguntas.”

Rainer Rilke — Cartas a um jovem poeta

 


Aviso de Direitos Autorais

Todo o conteúdo deste texto é protegido pela Lei nº 9.610/98. Sua reprodução, adaptação ou uso sem a devida atribuição ao autor é proibida e pode resultar em ações legais. Para uso autorizado, entre em contato com o autor.


 

Enviado por Alves Batista em 05/03/2026
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