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NZINGA: A SOMBRA INCENDIADA
Data: 12/08/2025
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Audio criado com a SUNO IA para poema NZINGA: A SOMBRA INCENDIADA, criado por Alves Batista.
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NZINGA: A SOMBRA INCENDIADA

Mulher negra que não se curva — dobra o mundo

Poema Social por Alves Batista

 

Nzinga.
Rainha de facão e luar:
incendiou a noite do Atlântico,
plantou fogo no chão angolano,
colheu tempestades
— e as fez dançar.

 

Seu trono?
Não é madeira.
É pele estendida,
sangue em marcha,
o corpo que dobra o ferro da cruz.

(Enquanto homens confundiam ferro com fé,
ela empurrava canhões
para o fundo do silêncio.)

 

Ê, Nzinga!

Mãe de Matamba,
ensinaste a dança da queda que não se aceita:

— Cadeira?
Sentaste no lombo vivo da irmã.

— Trono?

"Este povo é minha coroa:
língua, faca, sopro.
Indomável."

 

Nzinga.
Teus passos, sal, sangue, semente,
fincaram chão novo no asfalto.

Viraste verbo:
ginga que dobra a dor,
faca que canta no escuro,
corpo que se faz reino.

 

Hoje, teu rosto é labareda:
— na ginga das quitandeiras,
— no quadril das passistas,
— no comando das mães de santo
(que coroam a rua).

 

Nzinga, não estás nos livros,
és o punho cerrado da favela,
a criança que rompe o silêncio,
a mulher que abre a boca
e liberta

um rugido de faca.

 

Rainha sem cemitério:
tua coroa é de fogo e dendê,
teu cetro, um facão de açúcar e sangue.

 

E o reino?
É este corpo negro
que dança —

sempre Nzinga.

 

Ouça a música:

https://www.recantodasletras.com.br/audios/cancoes/120889

 

Enviado por Alves Batista em 12/08/2025
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